Nestes tempos em que vivemos, tempos de pandemia, era suposto que os dirigentes dos Terreiros, tanto de Candomblé como de Umbanda, pessoas que terão de ser necessariamente assistidas e orientadas pelo sagrado, tivessem uma ação proactiva nas suas comunidades, no que se refere a este flagelo da Covid 19. Nós somos pessoas que defendemos a vida, fazemos circular o Asè. Não podemos nem devemos fazer circular a doença, a morte e como tal, o vírus. Nós temos uma responsabilidade acrescida! Nós somos do Orisá! Nós somos pela vida!
Nos tempo que correm e chegados ao ponto para muitos inimaginável, acho ser de todo conveniente cada um de nós, sejamos dos cultos afrobrasileiros ou não, refletirmos e onde acharmos que devemos arrepiar caminho, fazê-lo sem hesitação mas com acutilância. É comum ouvirmos ou lermos, que após esta nossa vivência coletiva enquanto seres humanos, teremos aprendido a não cometer os mesmos erros! Nada mais enganoso! Se assim fosse, nós estaríamos a viver um possível “milagre; Fato é, que não é disso que se trata! Em vez de “um milagre”, estamos a viver uma pandemia global!!! É por este motivo, que não faz qualquer sentido empunharmos qualquer bandeira, a que não seja a bandeira da união, independentemente da diversidade de cada ser de cada grupo. A diversidade, só pode enriquecer o nosso estatuto de gente. Se assim não for, não é diversidade, é egoísmo. Paremos de apontar o dedo ao outro seja no trabalho, seja na luta por melhores direitos, seja na casa do mais comum dos mortais, seja em qualquer comunidade religiosa, como por exemplo , o candomblé. Nós que somos contra qualquer discriminação, não poderemos continuar a ser em muitos casos, mesmo dentro de portas, os primeiros a discriminar.
Olhando para a nossa volta e referindome sobretudo aos cultos afro-brasileiros, (Candomblé e Umbanda), sentimos cada vez mais a necessidade de sermos autenticos artifices, “unicos”, do lugar onde vivemos, com quem convivemos; não é possível disistirmos ao combate constante da nossa e das religiões dos outros, sem que façamos rigorozamente nada! A primeira coisa a fazer, é nos próprios não combatermos os nossos irmãos; as nossas proprias casas de culto ou as casas dos outros, como se fosse possível elevarmo-nos, sendo exactamentem iguais a quem nos combate. União, precisa-se!!!
Todos sabemos, que os cultos afro-brasileiros, de um modo particular o Candomblé, é uma religião de resistência… Foi a luta de muitos, pago de uma forma tão desumana a quem se dizia tão “intocáveis”, que nos permitiu onde até hoje chegamos! Hoje em dia, temos “outros senhores”, que se acham donos de Deus e tudo o que é espiritual… e nós que atitude temos?! Além do pouco bom exemplo que damos do bom legado que nos deixaram, ainda temos a triste postura de nos atacarmos uns aos outros! (Já não só no Brasil, mas infelizmente em Portugal começa a fazer estrada esta triste realidade.) Achamos, que é altura de revermos as nossas posturas com todos os nossos irmãos, para que o Candomblé continue a ser caminho da essência da vida.
Há coisas e situações, que mesmo quem é “cego”, vê!
E se não vê, é porque não quer!
São várias as vozes que nos chegam e na realidade também constatamos, que na família do Candomblé, e não me refiro só ao Brasil, mas neste caso em Portugal, que há cada vez mais Pais / Mães de Santo que não olham aos meios para atingirem determinados fins! Não é possível continuar a “fábrica” de novos Babalorisás / Yalorisás, que na sua essência, no fundamento nada possuem! Para onde querem levar o nosso Candomblé?!!!
Espero que ainda tenhamos tempo de travar este vazio, que se constrói cada vez mais, sem qualquer tipo de vergonha!